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O Povo Errante é como os antigos chamam hoje o que uma vez foi um mundo convergido e bem estruturado. Antes da população se dividir, há 700 ciclos atrás, todo o mundo se dirigia à um porta-voz e suas nove cabeças, que guiavam as decisões em prol dos cidadãos. Esse porta-voz era escolhido por votação do povo e este selecionava seu conselho de confiança. Nove homens, um para cada função, serviam para auxiliar o porta-voz a tomar as decisões que agradassem a população.

Tarefas eram distribuídas democraticamente aos senhores donos de terras e tudo fluía de forma perfeita. Religiões eram respeitadas e tinham seu espaço, raças diferentes estavam em harmonia e trabalhavam juntas.

Então houve uma interferência planar e o caos invadiu o âmbito da ordem. Esse evento foi comumente chamado de O Despertar, onde todos viviam em um grande sonho demarcado, mas que finalmente acordaram para a realidade. Alguns puritanos chamam de Ruptura, o momento em que a sociedade decidiu seguir ideologias diferentes, abdicando do porta-voz, suas leis e seus deuses.

Em 700 ciclos, raças com ideologias semelhantes formaram uma nova sociedade, novos deuses e novas leis. Inicialmente foram dezoito reinos e reduzidos a doze conforme a guerra se alastrava. Os seis reinos foram extintos e parcialmente esquecidos da história.

Velho Panteão

No Mundo Antigo, deuses eram cultuados livremente. Era comum existirem pequenas e grandes divindades e quanto maior o número de adoradores, mais forte ela se tornava. Mas antes de qualquer existência no mundo, uma força incompreensível tomou forma e se tornou a vida. Sem explicações do que a causou ou sua razão de existir, ela começou a se desenvolver. Após a criação do primeiro ser vivo, essa energia chamada Vida gerou por acaso outra força denominada Morte. Tudo que a Vida criava, a Morte destruía. Sempre que questionada, sua resposta era a mesma: "Manter o equilíbrio". Compreendendo a sua existência, as duas forças determinaram o quanto cada ser deveria viver para manter a ordem no mundo.

Dotados de conhecimento e sabedoria, esses seres viveram organizados, de acordo com suas limitações e funcionalidades. O mundo era como uma roda e os habitantes a mantinham girando.

Para explicarem aquilo que não compreendiam, essas raças criaram crenças e isso se tornou a maior força que um dia existiu. Cada um adorava o que estava à sua volta. Os caçadores e fazendeiros acreditavam que havia uma força que comandavam os animais e as plantas. Os mineradores adoravam o deus das montanhas. Os curandeiros colocavam sua fé em outra entidade e assim por diante. Após a Ruptura, os velhos deuses foram esquecidos e consequentemente, mortos.

Interferência Planar

Sendo um espelho dos seres que o criou, logo uma semente maligna foi plantada. A Morte, se apresentando ao mundo como Mors Maloch, escolheu um humano para testar até onde sua mente poderia alcançar, dando a ele o dom de matar. Este homem ficou conhecido na história como "Theocidius", mas poucos se lembram de seu verdadeiro nome.

O homem apresentou ao mundo o primeiro assassinato, mostrou que tinha controle sobre quem vive e que morre. Theocidius enlouqueceu com o poder, mas levou consigo uma legião de seguidores.

Espalhando o caos e a divergência, o pandemônio tomou conta das pessoas. Infectando uma a uma, os seres começaram a se questionar e a confrontar. Rebeliões se iniciaram e diferenças de ideais entraram em conflito. Assim o mundo se rompeu e isso era a semente das desgraças que ainda viriam. O corpo de Theocidius nunca foi encontrado, nem mesmo sabemos se teve o encontro com a morte, mas até hoje o senhor da vida se arrepende de o ter criado.